segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Que terça-feira!

Se existe algo que me deixa feliz é parar o carro antes de uma faixa de pedestres e esperar pela travessia de alguém. Me sinto, sei lá, mais cidadão nestas horas. Na tarde de terça, parei o carro ali naquele quebra-molas da Zeca Netto com a Manoel Pacheco. Uma senhora negra de uns 60 anos, cruzou na minha frente. Quase parando, entre surpresa e agradecida, balbuciou um firme “muito obrigado”. Não foi somente ela que se surpreendeu, afinal desde que se implantou as controversas faixas de segurança na cidade, eu venho fazendo isso com certa naturalidade. A reação dela ao meu obrigatório gesto me lembrou aquele dono de circo do Rio de Janeiro, que traumatizado depois de ver seu negócio e dois expectadores consumidos pelas chamas, passou a vagar pela Capital carioca carregando no corpo cartazes nos quais se lia “Gentileza gera Gentileza”. E assim, Mestre Gentileza (foto) terminou seus dias: espalhando mensagens de amor, defendendo o perdão, pregando a generosidade.
A reação desta senhora camaquense também me fez suspeitar que seja mais raro do que eu imaginava por aqui o respeito a essa regra de trânsito tão básica quanto respeitosa.

Com meu ego civilizatório inflado, me sentindo um pouquinho mais humano, cheguei minutos depois num posto de combustíveis, esse do Armélio aqui perto da rádio. Recebo então a notícia que iria mudar definitivamente o meu dia. O Marcelo, o menino para o qual uma multidão de mais de 600 camaquenses foi doar sangue para o seu sonhado transplante de medula, achou um doador compatível. Não contive a euforia.

“Eu sei que muitos que dos que estiverem lendo essa coluna, agora, também estão sentindo o que senti na tarde de terça-feira”

Na verdade, eu não conheço o Marcelo, nunca falei ao telefone com o Marcelo, nem com seus pais, mas eu torci tanto por esse dia. Acho que para mim, que busquei fazer minha partezinha, me integrando à luta desse guri, e para todos que se sensibilizaram por suas causa, o Marcelo passou a figurar como um filho, um neto, um irmão, um sobrinho. Eu sei que muitos que dos que estiverem lendo esta coluna também estão sentindo o que senti na tarde de terça-feira. A sensação de que tudo aquilo valeu à pena é suprema. Até acho que o nome do doador nem deva ser publicado. A vida nova que, se Deus quiser (e já quis), o Marcelo terá tão logo faça a cirurgia, é um gesto de bondade coletiva. É a força do bem, que sempre há de prosperar nas ações do homem.

Mas a terça prometia mais. No anoitecer, depois de marcar um almoço com meu filho, o qual mora em outra cidade e cujo destino um dia nos distanciou, tive a convicção de que aquele de fato era um dia especial. Mas é necessário dizer que muitas destas felizes situações jamais se dariam sem a efetiva participação de terceiros. São estes anjos que, ao contrário do que recomenda o imaginário religioso são desprovidos de asas e não tocam harpas, é que fazem a diferença. São enviados sim, mas são terrenos, possuem RG e falam conosco, às vezes diariamente. Cabe aos abençoados por seus surgimentos ou por suas permanentes presenças sacar isso, reconhecendo-os, respeitando-os, amando-os. É ótimo receber o bem, melhor ainda é devolvê-lo. Afinal, gentileza...

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Greve 1
O baixo índice de adesão dos professores estaduais à greve do Cpers ficou dentro da média das demais cidades gaúchas. Nenhuma estimativa deu acima de 10% de paralisação. Mesmo com a sociedade e a grande imprensa dando contra a greve, os professores que pararam conseguiram arrancar do governo Tarso a proposição de ampliar a discussão em torno da implantação do novo ensino médio. Ponto para educação.

Greve 2
Já com relação ao cumprimento da lei, que recomenda o pagamento do piso nacional aos professores, o governo continuou se fazendo de surdo. O problema nem é a falta de dinheiro. A questão é a falta de um cronograma a ser oferecido aos educadores para essa adequação. Em suma: a carente comunicação palaciana se confunde com uma preocupante falta de vontade.

“Avenidas das Trancas”
Nem todos receberam bem o estreitamento da Olavo Moraes na altura do abrigo de ônibus. Aliás, a aprovação ficou longe de ser satisfatória. Na terça-feira, uma placa colocada no cruzamento da avenida com a Antônio José Centeno, anunciava de forma bem humorada que ali terminava a Olavo e começava a “Avenida das Trancas”.
(FOTO)


Rápidas

• Está chegando a hora da entrega do Prêmio Comunicação/Troféu 25 Anos Gazeta Regional. Será no Clube Camaquense, dia 7, uma quarta-feira, quando serão homenageados os Melhores de 2011.

• Assinará o Buffet a competente equipe da Bety Festas, que preparará pratos espaciais à base de salmão e camarão. Um show humorístico com o “Radialista Feio” (Jorge da Borracharia) e a boa música de Junior & João Pedro animarão o evento.

• Não é somente o Cpers o problema do governo Tarso. Outros sindicatos de servidores prometem ensaiar longas paradas para 2012.

• Domingo, 27, tem evento beneficente da APAE na Praça Zeca Netto. É a partir das 14h.

• O baixo perfil político do governo Molon será confirmado nas eleições municipais, quando pouquíssimos tentarão uma cadeira na Câmara.

• Vai terminar o ano e os vereadores da base aliada de Molon continuarão titubeantes em relação levantar a assumirem a bandeira do governo.

• O problema é que podem perder boa chance de anabolizar suas imagens: a aprovação da administração é bem melhor do que era.

• É inconcebível num centro de trânsito estrangulado afunilar mais ainda uma avenida vital para o fluxo. É o que fizeram com a Olavo Moraes.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

História rasgada



Brizola: luta árdua para erguer uma bandeira, hoje manchada
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O PDT esteve no centro das atenções da mídia nacional, nos últimos dias. Tudo por conta do escândalo de propinagem, denunciado pela Veja da última semana. Alvo principal: o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que gerencia o PDT desde a morte do fundador Leonel Brizola, em 2004. Resumidamente, de acordo com as apurações, os capatazes de Lupi cobravam comissão para não trancar o pagamento a entidades que prestavam serviços ao governo.

Aos 51 anos, o paulista (radicado carioca) Lupi é a fiel expressão de um PDT que não existe mais. De um PDT, que entre meados da década de 1980 e da de 90, fazia parar famílias em frente à tela para ver os bombásticos pronunciamentos do seu implacável líder. De um PDT que teve a força de eleger o primeiro governador negro da história, aqui no Estado mesmo. De um PDT cuja força no interior tinha um peso enorme em qualquer simulação pré-eleitoral. De um PDT que reinou absoluto em Camaquã e na região, elegendo e reelegendo prefeitos e vereadores por anos a fio, desde a abertura democrática.

O PDT de Carlos Lupi encolheu e virou um partidinho fisiológico como qualquer um desses que o PT alugou para não comprometer sua sequencia de poder. Ninguém se entende nesse PDT pós Brizola. Se de um lado o herdeiro bastardo Lupi mancha com seu estilo truculento e pouco inteligente a imagem do velho líder, de outro seus tresloucados netos fazem uma força descomunal para enterrar mais a sigla. Uma simples sucessão partidária estadual, dia desses, se transformou num fórum público de lamentações constrangedoras. Definitivamente, Brizola não merecia isso.

Lupi, o jornaleiro que um caiu nas graças de Brizola e dele ganhou sua confiança eterna, esqueceu de um detalhe quando se apossou do partido em benefício próprio: ele não é Leonel Brizola. A começar que o gaúcho jamais deixaria se criar uma situação como a que Lupi se meteu. Aliás, nem seria ministro pelas conveniências apresentadas. E nem vamos falar aqui de carisma, o qual em Brizola era fora do comum e natural.

“O PDT pode até ser mais uma vítima da estratégia de aliciamento petista, mas sobretudo, é vítima de si mesmo”


Mas o que mais chama atenção mesmo é que o médio e baixo cleros trabalhista não reagem diante do desmonte promovido por Lupi no seu partido. Ao contrário, o endeusam. Nesta semana, tentaram defender o indefensável. Mesmo com as robustas evidências de que Marcelo Panella, chefe de gabinete de Lupi no Ministério (ele está para Lupi como Lupi estava para Brizola) chefiava o esquema de achaque, muitos trabalhistas buscaram vitimizar o ministro.
A mensagem de vida pública deixada por Brizola, respeitada e seguida por gente que até nada tem a ver com o partido fundado por ele, foi rasgada pelos atuais arrendatários da sigla. O resultado disso é um partido encolhido, que deverá entrar em outro ano eleitoral com chances reais de diminuir ainda mais.
O PDT pode até ser mais uma vítima da estratégia de aliciamento petista, mas antes de tudo é vítima do seu destino.

Leg