sábado, 20 de novembro de 2010

Valores superados?

A transformação dos conceitos político-ideológicos que vem atingindo há algum tempo as relações do poder nacional se instaura agora – e, parece que de forma definitiva - no pagos gaúchos. Orgulhoso pela maneira muito clara como a maioria dos seus representantes políticos defendia seus grupos, os conterrâneos de Alberto Pasqualine, Assis Brasil e GetúlioVargas assiste estarrecido ao mosaico que pinta o cenário político riograndense neste pós eleição.

A nova realidade trás situações inimagináveis em outros tempos. Como a do PDT, por exemplo, que tão logo desceu do palanque do candidato derrotado ao governo estadual, já selava aliança com o principal adversário de sua coligação. Sim, o PDT do vice de José Fogaça, Pompeo de Mattos fará parte a partir do próximo janeiro do novo governo, cuja proposta de campanha ajudou a condenar.

Outro exemplo emblemático é o PTB. Mesmo fazendo parte ativamente do atual governo estadual, a sigla já tem acertados cargos e secretarias na próxima gestão. O PTB, aliás, é o campeão das boas relações políticas: além do estado, é aliado ao governo federal, à administração pública da Capital e onde mais puder.

Mas chamou atenção em especial foi a presença do Partido Progressista no balcão petista de negociações. Histórico adversário do partido que retorna ao poder e principal parceiro da gestão Yeda Crusius, o PP esteve muito perto de abraçar-se com o governo Tarso Genro. Depois de alguma reflexão, que levou em conta a história que estava sendo rasgada e os compromissos com sua clientela, decidiu voltar atrás.

O governo eleito do Rio Grande do Sul possui todo o direito de alastrar seu leque de apoios. Isso é democrático e está dentro do regulamento. O que se questiona sim é a posição de quem é assediado e cede. Ao votar em determinado grupo o eleitor, além de dizer sim a uma proposta, está dizendo não à outra. Em caso de derrota, espera no mínimo que haja combatividade. E a isso se dá o nome de oposição, fundamental no sistema para o interesse dos governados.

A permuta de apoio, flagrada de forma cada vez menos constrangedora, se cacifa momentaneamente nomes e partidos, os enfraquece como instituição, os desfigurando perante aos seus públicos.

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