quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma política na educação pública!

* Paulo Mendes Filho
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A política é uma ciência social de mal com a vida, mas no passado era muita mais divertida, muito diferente. Diferenças visíveis, na ética, nos ideais e onde as derrotas eram choradas e as vitórias comemoradas. Neste tempo uma professora de escola pública fazia política com idealismo, com energia de vida e se divertia com isso. Em 1951 foi eleita a primeira vereadora de Camaquã. E agora, por iniciativa do Vereador Neco e com apoio de todos os vereadores, nasce uma nova camaquense, com 94 anos de idade e uma vida na educação pública.

A professora Marina de Castro Mendes, cidadã camaquense desde 24 de novembro de 2009. Uma justa homenagem da Câmara de Vereadores de Camaquã a uma portoalegrense de nascença e camaquense de coração.
Das inúmeras histórias contadas pela vereadora/professora destaco uma que representa o idealismo de quem acredita no serviço público, na educação pública, um bom exemplo nos dias de hoje.

Na década de 50 e 60 o colégio das irmãs Bernardinas (as freiras), Colégio São João Batista, brilhava na preferência da elite camaquense. Um colégio privado, uniformizado, com banda marcial, muito bem edificado nos moldes dos colégios do primeiro mundo e muito diferente da realidade do colégio público batizado de Sete de Setembro, uma homenagem à data da independência do Brasil. Portanto de um lado o "o precursor de Cristo" e, do outro, o sonho da independência brasileira. Uma escola para os ricos e outra para os pobres.

No desfile da pátria a diferença era mostrada para a sociedade, de um lado a organização do colégio privado do outro a pobreza da escola pública. Impossível a concorrência, nem mesmo tambores a escola pública possuía. Mas a diretora Marina Mendes acreditou diferente. Solicitou os tambores da banda da Escola de Tapes prometendo fazer o mesmo depois do desfile. Uma pequena mentira pela boa causa, pois não existia nenhum tambor para emprestar para Tapes. Mas com os tambores de Tapes e com o empréstimo do seu esposo Facinho Mendes, equipou a escola pública, uniformizou e encarou o desfile em condições iguais da poderosa escola privada.

"Amei muito esta terra, como se fosse sempre a minha terra!"
(Marina de Castro Mendes, Cidadã Camaquense, professora pública e primeira vereadora eleita por Camaquã)


Ao fazer este ato político, modificou a imagem da escola pobre, pública e desorganizada na sociedade, melhorou a auto-estima dos professores e alunos. Com isso dobrou as matrículas nos anos seguintes. Um ato de coragem e enfretamento.
Enquanto seus adversários políticos acusavam-na de fazer politicagem, melhorando a imagem da escola pública, ela sentenciava sem rodeio: Antes de Vereadora, sou diretora de um escola pública, professora pública por escolha, portanto é claro que estou e vou continuar fazendo política pela escola pública. É da minha natureza!
Um bom exemplo de uma educadora pública e de idealismo político. Valeu pelo reconhecimento. Temos muito orgulho desta história!

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* Diretor do Semapi e secretário do Meio Ambiente da CUT/RS, Paulo Mendes é neto da professora Marina Mendes.

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