terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O LEGADO DE JOÃO CARLOS

O trânsito trancado naquele inicio de noite de 1º de janeiro de 2001 permitia que José Cândido de Godoy Netto caminhasse a largos passos no meio da Olavo Moraes em direção à sinaleira central. Ao lado da filha de coração Daniela e de dois ex-assessores, o trabalhista tinha concluído, há pouco, o seu último ato oficial, após 12 anos ininterruptos de poder e três polêmicos mandatos de prefeito. 

Dois anos antes, havia rompido com o seu PDT, pouco antes de dar novo rumo a sua vida pessoal. Um turbilhão de emoções devia estar sentindo naquele momento o inconvencional Zé Cândido, cujas trajetórias privada e pública sempre andaram de mãos dadas. Uma coisa sempre teve a ver com a outra e se interferiam entre si.

Situação bem diferente viverá João Carlos Machado, quando passar o bastão administrativo ao sucessor Ivo Lima Ferreira, no próximo domingo. Após 16 anos, sendo reeleito em 2004, elegendo seu vice em 2008 e voltando ao governo em 2013, o pepista descerá a escadaria da prefeitura mais leve do que entrou. Completará um ciclo, iniciado em 1985, quando assumiu a presidência do Sindicato Rural de Camaquã, se tornando, depois, influente liderança da Farsul. Em 2006 foi chamado para o honroso cargo de secretário estadual da Agricultura. Não concorrerá mais a cargos políticos. Isso é certo

A leveza com qual ele conduz esses derradeiros atos tem a ver com a convicção pessoal de que está se retirando bem das luzes. Não por causa das contas públicas em dia e com o dinheiro em caixa que o seu governo deixa (como a Secretaria da Saúde que deixará saldo de mais de R$ 800 mil para 2017, sem contar os repasses de novembro que ainda não entraram), mas pelos resultados obtidos pelo conjunto da obra. E eles não são poucos. 

Eis os aspectos que fizeram a diferença: postura e trabalho. Desde os primeiros dias de 2001, ficou muito bem entendido como se olharia e se manusearia o patrimônio e as receitas públicas, como seria a relação com a população, com as entidades, com a imprensa. Desde logo, ficou claro como seria o tratamento aos que procurariam o poder executivo municipal para resolver suas demandas. 

Morria ali um modelo populesco, o qual escancaradamente trocava obrigações travestidas de favores por apoios e votos. A assistência social foi e é um exemplo prático deste câmbio de atitude. E faça-se aqui uma justiça: foi de extrema relevância a influência da discreta Jussara Warlet Machado. Não somente na nova Ação Social, mas em todas as faces e atitudes dos governos do marido.

No aspecto trabalho JC nunca se fez de rogado, permanecendo não raras vezes por horas reunido com técnicos, secretários e procuradores em busca de um melhor entendimento sobre determinada situação, em busca da melhor decisão.

Nem sempre se acertou, é verdade. O frustrado asfaltamento da José de Souza Castro – que fez com que a empresa executora da obra fosse condenada a devolver os valores mais tarde - talvez seja o emblema de um governo que ficou devendo grandes obras. Mas daí a dizer que a era JC se investiu pouco em infraestrutura seria faltar com a verdade. Apenas nestes quatro últimos anos, mesmo de guaiacas vazias, o município pavimentou o equivalente a uma ida e uma volta para Arambaré. Foram 60 km de calçamento. Não, isso não é pouca coisa. 

Tem também a Faixinha pronta, a Barragem do Maria Ulguim entregue, escolas novas e reformadas, o sistema de câmeras instalado, o prédio do Centro Administrativo comprado, os novos postos de saúde espalhados pela cidade, as máquinas e os veículos novos. A gestão de João Carlos também coincide com o avanço da informática e da internet, às quais a prefeitura adequou seus serviços.

Gestões públicas são feitas de pequenas e grandes conquistas, de resoluções populares e outras nem tanto, de agrados e desagrados. Não é diferente com os governos de João Carlos. Mas ao entregar a chave do gabinete, no domingo, ele deixa um município bem melhor do que pegara 16 anos antes, quando detentores de cargos públicos municipais multiplicavam patrimônios, empresas cresciam ao ritmo de licitações viciadas e as especulações sobre alcova eram temas recorrentes. Evoluímos! 

Por Alex Soares

4 comentários:

  1. Parabéns amigo Alex pela bela explanação do governo do nosso estimado Prefeito João Carlos exemplo de Homem público .

    ResponderExcluir
  2. Antonio A. Fonseca.28 de dezembro de 2016 10:28

    Parabéns pelo artigo sensato. JC é um exemplo de homem público. Quiçá o novo prefeito consiga manter a mesma postura.

    ResponderExcluir
  3. Quando teve o Natal da Criança na praça João Carlos estava lá vendo a montagem do som , apertando a mão das pessoas inclusive a minha com um bom dia , resumindo uma pessoa responsável e com as obrigações em dia parabéns prefeito e texto muito bom com uma visão ampla do ocorrido parabéns Alex Soares

    ResponderExcluir

Leg