Sobre a polêmica envolvendo o uso do nome Dongfeng, Vaz, que preferiu não gravar entrevista, disse que em nenhum momento nem seus sócios nem os donos da Yunlihong se apresentaram como sendo da Dongfeng – potência empresarial asiática dona de diversas outras marcas. “Vou te dizer uma coisa: em nenhum momento nos apresentamos como Dongfeng, sempre foi como quem de fato somos, ou seja, Yunlihong, comentou.
Abaixo, os principais trechos da entrevista:
Alex Soares - Qual relação tem a perda de Santa Maria com a polêmica gerada?
Guilherme Vaz - Olha, não quero acusar ninguém nem nada, mas o fato é que o prefeito de lá (Cezar Schirmer) sentiu muito a perda para Camaquã.
AS - Então houve retaliação?
GV - Não posso dizer isso, mas que as coisas negativas partiram de lá, não tenho dúvida.
AS - O senhor acha que o fato de a Zero Hora ter sucursal em Santa Maria tem a ver com a polêmica gerada pelas matérias do jornal?
GV - Prefiro não responder isso, mas que ficou claro para que lado o veículo estava pendendo, ficou.
AS - E por que vocês não foram mais enfáticos no pedido de correção do nome?
GV - Fomos, desde quando foi publicado o nome de Dongfeng na imprensa, o problema é que não fomos atendidos.
AS - Por quê?
GV - Isso eu não sei, o que sei é que as negociações com as prefeituras, com o governo estadual e o protocolo assinado, tudo foi feito em nome de Yunlihong.
AS - E porque se misturaram os nomes Donfeng e Yunlihong?
GV - A verdade é a seguinte: ambas as empresas são parceiras na China, inclusive com a Dongfeng sendo sua fornecedora de motores. Isto é até irrelevante, mas um dos sócios da Yunlihong trabalha para Dongfeng. Mas repito: ninguém usou o nome de Dongfeng.
AS - E a manifestação na mesma Zero Hora do presidente da Aurium Trading & Investimento, que representa a Dongfeng no Brasil, que acusou vocês de ato fraudulento?
GV - Sem comentários, este senhor cometeu um equívoco. Depois da publicação sabemos que ele voltou atrás; acho que após entender o que de fato ocorreu.
AS - Que empresa é a que vai se instalar em Camaquã, afinal? Quantos empregados tem?
GV - É a Yunlihong, que fabrica caminhões especiais na cidade de Shiyan, a 2 horas de avião de Pequim. A fábrica tem 1.250 operários.
AS - O que mudou após esta polêmica?
GV - Nada, nenhuma vírgula saiu nem entrou daquilo que combinamos. Vamos produzir dentro de um ano caminhões leves, pick-ups e jipes 4x4 na fábrica do Brasil, que será instalada em Camaquã.
AS - Quando vocês começam as obras da fábrica?
GV - Olha, estamos em parceria com a prefeitura de Camaquã trabalhando na liberação das licenças ambientais necessárias para começar a construir. Acredito que dentro de uns três meses. Isso não depende somente da gente.
AS - E o pessoal para trabalhar quando começa a ser recrutado?
GV - O do escritório em breve, em dois meses no máximo.
AS- Quantos?
GV - Inicialmente, no escritório que funcionará no Centro, serão 25 profissionais.
AS – Virá gente da Ásia?
GV – Sim, mas uns quatro ou cinco.
AS - E na construção do prédio da montadora, quantos operários serão chamados? GV - Serão 223 trabalhadores que começam a ser chamados assim que tiver tudo pronto para começar. AS - Qual a previsão de conclusão da obra?
GV - Entre dez e doze meses.
AS - Por que Camaquã foi a cidade escolhida ao invés de Santa Maria?
GV - A decisão foi meramente técnica. Todas as combinações feitas para instalar e operar a fábrica em Santa Maria perdiam na questão do custo para Camaquã. Vejam o item transporte, por exemplo: era inviável trazer nosso material via ferroviária. O governo de Santa Maria até ficou de nos apresentar uma alternativa para compensar as dificuldades deste tipo de transporte, a qual também reduzisse esse custo. Mas isso nunca nos foi apresentado.
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