segunda-feira, 19 de outubro de 2015

LULA JAMAIS SERIA GETÚLIO E DILMA NÃO É JANGO

Por Alex Soares

Getúlio Vargas se matou para não renunciar. Ele não queria sair do Catete preso, algemado pelos militares que tramavam o golpe. Esse era um dos seus temores.  Getúlio tinha 72 anos, quando naquela manhã de agosto de 1954, decidiu disparar contra o peito e entrar para eternidade.

Li e reli, assisti a filme e documentários, ouvi entrevistas sobre Getúlio, tentando entender o que passava na cabeça do pai dos pobres naquela alvorada carioca, que não será mais esquecida. É certo é que estava atormentado, mais ainda após o atentado contra o venenoso Carlos Lacerda. Tudo fora tramado nos porões do palácio, longe do seu conhecimento.

Traído, com a reputação estraçalhada por uma oposição civil que tramava com as Forças Armadas, Getúlio era só mágoas naqueles 19 dias finais de vida – os que separaram o atentado da Tonelero ao suicídio.
Getúlio se matou por orgulho, mas muito por vergonha. Na derradeira viagem à São Borja, o homem que mandou no país por vinte anos, em períodos distintos, carregou um emaranhado de decepções, a maioria nunca reveladas. Não fora apenas Gregório Fortunato que lhe roubara a confiança. Assessores, aliados e parentes também. Antes de atirar contra o peito, Getúlio já sangrava com as  punhadas.

O Brasil ainda haveria de assistir a mais quatro renúncias até terminar o século passado. O irresponsável Jânio Quadros seria o próximo, sete anos após a tragédia do Catete e há apenas sete meses depois de receber a faixa presidencial do intrépido Juscelino Kubitschek. No mesmo mandato de Quadros, nova renúncia: Seu vice, Jango, que na verdade nunca quis ter entrado, também pediu para sair, sem qualquer resistência aos militares, son a justifica de evitar derramamento de sangue.  

Após a lacuna autoritária, o primeiro presidente não nomeado cai doente e falece.  Depois do período conturbado do enfadonho José Sarney, escolhido vice de Tancredo Neves para acalmar os militares, Collor de Mello, primeiro chefe de Estado eleito em 30 anos, renuncia antes de ser derrubado por um Congresso que nunca teve na mão e que o condenou por corrupção.

Getúlio renunciou ao cargo e à vida por vergonha, Jânio por doideira, Jango por medo e Collor por irregularidades e mais do que isso, por inabilidade.

Agora, 61 anos depois do tiro do Catete, está em curso mais uma vez a discussão em torno da abreviatura do mandato presidencial republicano. Fragilizado política e institucionalmente com as crescentes perdas de apoio, destroçado eticamente pelos bilhões públicos roubados por gente do próprio governo e publicamente condenado também pela penúria econômica que bate em todos os setores produtivos e, consequentemente, na rotina popular, o governo Lula-Lula-Dilma-Dilma tenta se segurar como pode. Mas Dilma não renunciará por livre opção. Os tempos são outros.

Dilma não tem nada a ver com Getúlio e suas crises pudicas existenciais, também não é destrambelhada como Jânio, nem fraca como Jango. Ela também não tem nenhum irmão delator como teve Collor e sabe bem a importância de ter um congresso sob controle. Em contrapartida, mesmo não tendo nada que comprovadamente a desabone, a atual presidente tem a ver com um grupo cuja predominância no poder está associada  a nocivas práticas que ferem a ética da administração pública. Em outras palavras: colegas de governo, nomeados por Lula e renomeados por Dilma roubaram dinheiro da Nação.

Getúlio Vargas se envergonhou por Gregório, se envergonhou também pelo filho Lutero, que mesmo não tendo sido condenado, foi o mandante do atentado a Lacerda, segundo um dos autores dos tiros que mataram o major Vaz.

Lula não teve nem um Gregório, nem um Lutero. Em compensação teve um José Dirceu, tem um Lulinha e muitos outros. Dilma tem Cerveró, Paulo Roberto Costa... Mas nada disso os abala. Toc, toc, toc, 54 ficou para trás! Sim, os tempos são outros e não haverá nenhuma carta testamento.   

Em tempo: os anos passaram e Getúlio Vargas continuou sendo, no Século XXI, o  pai dos pobres do Brasil, mesmo com toda fortuna pública gasta por Lula para tentar superá-lo.
.


       

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leg