sábado, 7 de junho de 2014

O Feito raro de Fernandão

Por Alex Soares
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Poucos são os atletas que conseguem se fazer admirados e respeitados pelos rivais dos clubes que defendem. No sul do Brasil, com a dicotomia GreNal, isso é mais raro ainda. Neste sábado, triste para colorados e gaúchos, me esforço para traçar um paralelo, lembrar de alguém que se possa comparar a Fernandão.

Honestamente, não acho. Alguns nomes que defenderam as duas forças: talvez a fortaleza Manga, o habilidoso Mário Sérgio? Ou craques como Falcão, cara do tri nacional do colorado em 1979, ou Renato Portaluppi, o homem da Libertadores e do Mundial tricolor de 1983? Quadros consagrados, queridos de suas torcidas, mas apenas das suas torcidas.

Fernando de Souza Costa conseguiu, com suor, conquistas e postura, construir um patamar próprio. As homenagens deste sábado mostraram isso. Pelo menos eu não vi, não li e não ouvi contestações – nem de gremistas - à passagem de Fernandão pelo futebol gaúcho. E quando isso acontece para essas bandas, trata-se de um fenômeno. 

Fernandão transpôs essa barreira pelo conjunto: foi líder, foi vitorioso, foi motivador, foi campeão. Foi o maestro da maior conquista colorada, foi irmão e pai de outros jogadores, o homem das confianças do técnico, foi a extensão do torcedor no palco verde no qual o coletivo se projeta. Foi tudo isso, mas foi mais. E esse extra  foi o determinante para a consternação também gremista de hoje. E estamos falando do autor do Gol Mil dos GreNais.

Fernandão foi respeitador e entendeu a dor ou o despeito do rival. Posso até estar errado, mas se a memória não me falha, não recordo de ver o centroavante colorado em arroubos de deboche contra gremistas, ou promovendo flautas agressivas antes e após os feitos da época em que o seu colorado ganhou tudo.

Fernando, pai presente de dois meninos e uma guria, bom filho, bom marido, deixou de viver neste sábado em meio ao começo de uma nova rotina, agora mais livre. Ia viver mais para si e os seus. Não conseguiu e, vamos combinar, quem somos nós para questionar ou entender planos divinos. Fernandão deixa um modelo de conduta, que deveria ser copiado e multiplicado, não apenas por atletas, mas por dirigentes, torcedores e todos que se envolvem com futebol ou mesmo com o esporte. 

O que Fernandão conseguiu é para poucos. E creio que esteja para nascer alguém tão identificado com uma das cores GreNal conseguir unir, conceitualmente, os seus e os do outro lado.E isso valeu Mil Gols!



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